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A Tartaruga Vermelha- França 2016


A nova animação assinada pelo famoso Estúdio Ghibli, reconhecida em Cannes com o premio Un Certain Regard, é uma obra de arte que quebra o padrão americano das animações, principalmente por ousar contar uma micro-estória sem inserir uma única linha de diálogos.

Com um visual portentoso onde a paleta de cores cria cenas memoráveis dignas de verdadeiros quadros dos mais famosos pintores, e a aposta na belíssima trilha sonora para conduzir seu enredo, sem temer momentos de silêncios, consegue, misteriosamente, transmitir todas as emoções e sentimentos de forma universal sem a barreira da linguagem.

“La Tortue Rouge” que cria, logo no início, uma aura de magnitude e respeito poético com a simplicidade dos traços em contraponto com a magnitude da natureza, estrutura-se de forma tão mágica que torna possível a fácil captação de sentimentos como raiva, dor, deslumbramentos e, uma infinita gama de emoções durante seus mais que artísticos e agradáveis oitenta minutos de duração.

E, como toda verdadeira expressão artística é subjetiva, a interpretação das parábolas e simbolismos do roteiro fica como chave mestra para o entendimento do conjunto filosófico da obra, deixando margem para entendimentos individuais e muito pessoais.

Assim, The Red Turtle, certamente impressiona e muito pela estética, musicalmente e tecnicamente, mas pode também resultar em certa frustração, no último ato, com o hermetismo de seu sincretismo; ou não...

#Europa #Análise #Animação #Oscar2017

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