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  • Cardoso Júnior

Numa Escola de Havana – Cuba- 2015

Atualizado: Ago 15


É um exemplo claro da potência e dos acertos do novo cinema Cubano que investe de forma tocante e contundente no naturalismo, seja representativo, seja narrativo. Partindo de um mote já bem explorado pelo cinema (Salas de aulas, professores, família e sistema), consegue um espaço diferenciado ao fazê-lo um “filme de atores” que transita por emoções sutis e fortes que, exteriorizadas, tornam-se um retrato realista da infância “amparada” e desprotegida pelo sistema escolar Cubano. Este enredo, poderia parecer simplista e até localizado se não fosse universal. Há nessa estória, muito bem narrada, uma abrangência tamanha que, é impossível não relacioná-la com vários sistemas educacionais, inclusive o Brasileiro. Ao não restringir o cenário apenas na relação aluno x professor e, abarcar toda uma contingência sócio-econômica reflexiva e apontá-la, sem meias palavras, como raiz primária dos problemas: pobreza, vícios, violência, marginalização, desestruturação do núcleo familiar e, profanação da infância, torna-se urgente. É natural que ao ler isto, você pense tratar-se de um “circo de horrores”, mas a sabia direção e roteiro, caminham por trilhos mais suaves onde também encontramos ternura, o primeiro amor, tudo, sobre o prisma de um olhar infantil. Tecnicamente, a câmera de mão e a fotografia saturada são recursos naturalistas utilizados de forma mais que perfeita que cabem e amplificam a comovente estrutura narrativa que não poupa, verbalmente, critica ao sistema governamental Cubano. Por tudo isto, “Conducta” é um dos trabalhos mais emocionantes do ano por criar fácil identificação com qualquer público, e reverências às interpretações de Alina Rodriguez e do incrível ator mirim Armando Valdes Freire. Assim, “Escola de Conduta” entra no patamar de surpreendente e obrigatório para educadores, sociólogos e pessoas comuns do mundo todo que, infelizmente, corre o risco de ficar soterrado pela avalanche comercial de Hollywood.

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