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  • Cardoso Júnior

O Abraço da Serpente – Colômbia – 2015

Atualizado: Ago 16


O concorrente da Colômbia a melhor filme estrangeiro no Oscar 2016, é inspirado em fatos reais, e um épico portentoso que envereda em sua deslumbrante plástica narrativa pelos inúmeros caminhos das reflexões. Com roteiro simbólico dentro do concretismo, esse “estudo” sobre as culturas indígenas, os povos da floresta Amazônica, suas crenças e mistérios, massacrados pelo homem branco em sua ganância, catequese e crueldades, é uma obra prima do cinema. Com um plot simples: dois europeus que viajaram ( em épocas distintas), com um xamã através dos rios em busca da “yakruna”, uma planta com propriedades medicinais; a narrativa embora bem lenta, mas nunca monótona, faz uma imersão no início do século XX de forma absurdamente sensorial sem abrir mão do enfoque antropológico. A ótica no conhecimento milenar dos índios, seus rituais, uso de plantas de cura física e espiritual, experiências sensoriais e simplicidade de vida em sintonia completa com a natureza e o respeito pela floresta, incute um alerta de como vivemos afastados e, deturpamos os valores mais dignos da essência humana. Com uma fotografia que beira o deslumbrante ainda que proposital e acertadamente opte pelo preto-e-branco, as tomadas panorâmicas de paisagens indizíveis , por si só, é um espetáculo único. Embora seja um trabalho incrível, beirando o memorável, “O abraço da Serpente” é intenso e profundo embora fuja peremptoriamente de qualquer cunho comercial configurando-se em um filme para poucos. Para amantes de altas velocidades, explosões e efeitos digitais do cinema comercial, recomendamos passar longe de algo que vai lhes parecer uma grande tortura em suas duas horas de desenvolvimento tão histórico e tão onírico quanto metafísico. Enfim, #ElAbrazodeLaSerpente é para quem consegue ver uma nuvem de borboletas revoando em torno de si próprio.

TRAILER

#AméricadoSul #Análise #Oscar2016