55 Passos - Alemanha – 2018

17 Nov 2018

 

 

Quando você vê que um filme saiu do TIFF, tem no elenco Hilary Swank, Helena Bonham Carter, Jeffrey Tambor e trata de uma história verídica, é óbvio que um cinéfilo cria boas expectativas e vai assisti-lo correndo.

Logo na abertura, já nos salta uma pergunta embaraçosa: Será que a biografia de uma mulher americana, dirigida por um sueco, filmada na Alemanha, produzida pela Bélgica e estrelada por elenco de língua inglesa pode dar certo?

Vamos em frente!

 

A história é bem interessante ao nos contar que, na década de 1980, aconteceu uma ferrenha batalha jurídica em prol dos direitos dos pacientes com distúrbios mentais de decidirem, em conjunto com seus médicos, se concordavam com a medicação e dosagem administrada, uma vez que, eram os médicos, todos poderosos, que estabeleciam quais seriam as substâncias psicotrópicas dos pacientes e sua dosagem independente dos graves efeitos colaterais que causavam. Alguma semelhança com os dias atuais e com a forma com que alguns nos fazem de cobaias?  Muitas!

Bom, Eleanor Riese tem o diagnóstico de “esquizofrenia paranoide crônica e retardo mental leve”, tem noção que precisa de tratamento, mas também sabe e sente no seu corpo, as gravíssimas conseqüências das doses cavalares que recebe no hospital contra sua vontade e, contrata uma advogada para livrá-la do suplício infindável. A advogada compra sua causa, inicia a tal batalha jurídica representando cerca de 15.000 pacientes na mesma situação e, mesmo com muitos revezes e apelações, acaba por vencer a causa ao mesmo tempo em que se torna amiga e protetora da protagonista. 

Não, isso não é um spoiler já que o roteiro é de tamanha previsibilidade que é impossível não saber como vai terminar.

Assim, ainda que nos traga uma história muito interessante sobre duas mulheres guerreiras inteiramente segregadas pelo machismo, o roteiro não encontra o tom para nos cativar ou mesmo nos emocionar com a narrativa principalmente pela péssima direção de atores que compromete todo o andamento.   Bonham Carter busca uma performance cômica histriônica que retira o peso do drama enquanto Swank ( ainda sob a maldição do Oscar),  estabelece um tom monocórdio em toda a película numa fragrante falta de química entre elas, mesmo nos momentos mais pretendidamente dramáticos.

Portanto, #55Steps lamentavelmente falha ao tentar criar uma outra “Erin Brokovic”, com sua paleta de cores desbotada mesmo quando rimos da protagonista e sua compulsão em contar os 55 degraus que a levam a sala do tribunal,  fazendo com que uma história importante não vá muito além de um potente sonífero ministrado com consentimento do expectador.

 

 

 

 

TRAILER

 

 

 

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