Guerra Fria- Polônia-2018

2 Nov 2018

 

O candidato da Polônia a uma vaga no Oscar 2019 é ninguém menos que o vencedor de melhor direção em Cannes 2018 e, mais uma obra de Pawel Pawlikowski, vencedor do Oscar de Melhor Filme Estrangeiro pelo espetacular “Ida” em 2013. Então, é óbvio que, com tantas referências em qualitativas fomos assistir a obra com imenso respeito.

 

Com roteiro centrado na dilapidada Polônia fragmentada após a transição entre dois regimes opressores e totalitários, o interessantíssimo argumento nos mostra como os governos despóticos manipulam e exigem que a arte os represente de acordo com suas visões políticas, criando uma ode ao sistema para convencimento do público local e exportando para outros países a “felicidade artística-cultural” do povo subjugado.

 

 

 

Em paralelo com essa espinhosa questão, ao longo de muitos anos e países, Pawlikowsk nos convida a acompanhar outra guerra, através de um relato belíssimo e trágico sobre o amor em tempos de repressão. E, até agora, nada de muito novo nesses dois plots não fosse a opção de filmar em P&B que resulta numa estética tão brilhante que é pura contemplação de apurado requinte cinematográfico.
Embora não seja um musical, e nem um filme com cunho político, é por meio da música e da dança que a direção costura toda uma história de paixão avassaladora trazendo coreografias espetaculares e momentos de musicalidade impressionantes ampliados, em muito, pela inigualável fotografia.

 

 

 

Minimalista nos ferinos diálogos, nos gestos dos ótimos protagonistas,  na dualidade entre amor e ódio, Pawlikowski corta e salta sua história através dos anos sem nos explicar muito o que ficou dentro do corte, mas há (de) que se convir, não deixa de ser um desafio à platéia para  deduzir o que teria acontecido aos amantes em suas idas e vindas e nos seus jogos de poder, nos embates de forças que os unem e os separam alternando períodos de profunda melancolia solitária com reencontros inevitáveis ainda que condenados a separações.

 

 

Infelizmente, em #ColdWar, mesmo com  tamanha beleza cinematográfica e perfeição cênica, o roteiro não consegue estabelecer uma conexão narrativa substancial a ponto de justificar ou convencer o expectador a embarcar emocionalmente na história dos amantes a ponto de realmente ficarem impressionados com o final que o diretor lhes reserva. 

 

 

Ainda assim, em #Zimnawojna, que não se iguala a “Ida”, há um componente visual que vale cada frame, cada aula de fotografia e vale ser apreciado quando, por fim, chegar a nossos cinemas em 2019.

 

 

 

TRAILER

 

 

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