Nos Vemos No Paraíso – França – 2017

12 Jul 2018

 

Novembro, 1918. Edouard Péricourt, de família rica, e Albert Maillard, de origem humilde, estão na trincheira quando seu tenente, Henri d'Aulnay-Pradelle, recebe a notícia do cessar-fogo entre os aliados e os Impérios Centrais, na primeira guerra mundial. Henri, contudo, desconsidera a ordem e motiva uma última batalha, matando os dois soldados – o mais jovem e o mais velho de seu pelotão – que havia enviado para avaliar a frente, na qual Albert, ao perceber a traição de seu tenente, é soterrado vivo e Edouard é desfigurado ao salvá-lo.

 

 

O roteiro de Albert Dupontel conta a saga de Albert e Edouard, quando o primeiro é capturado no Marrocos, em 1920, acusado de fraude e outros crimes, em flashback, através da deposição de Albert ao chefe de polícia. Com um tom farsesco, quase fabular, a trama exterioriza diversos acertos de contas, ou cármicos, entre Edouard e seu pai, Edouard, Albert e Henri, e outros, tecendo uma simples tese acerca da glória da redenção e uma crítica às guerras e àqueles que dela se beneficiam, lançando mão da revelia pela arte. Edouard, desfigurado, faz uso de expressivas máscaras, criando uma persona rebelde – que nos lembra V, de V de Vingança –, com faces diversas e emblemáticas.

 

 A direção, também de Albert, é ótima, mas, às vezes, exagera nas proximidades de closes, que seriam tão funcionais e mais significativos se guardassem maior distância. O ator Nahuel Pérez Biscayart, de origem argentina, de 120 Batimentos Por Minuto, no papel de Edouard, brilha intensamente atrás das diversas máscaras que encobrem todo, ou quase todo, o seu rosto. É impressionante o seu trabalho corporal para dar tanta vida à personagem. Albert Dupontel está excelente como Albert, e Laurent Lafitte, Niels Arestrup, Émilie Dequenne e Mélanie Thierry estão ótimos como Henri, Marcel Péricourt, Madeleine Péricourt e Pauline. Atenção à Héloïse Balster, como a menina Louise, que se destaca. A arte é belíssima – cenários, figurinos, os desenhos da personagem Edouard e, especialmente, as máscaras que auxiliam na composição do estado de espírito da personagem. A fotografia é excelente, a música e a edição são muito boas.

Um filme interessante, com temática intrigante, simploriamente desenvolvida, mas que encanta por sua sensibilidade e beleza visual. Vale assistir.

PS: Em cartaz.

 

 

 

TRAILER

 

 

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