Esplendor – Japão – 2017

10 May 2018

 

O encontro de Misaki, criadora de áudio-descrições, e Nakamori, um fotógrafo perdendo a visão, os impulsiona a reflexões sobre perdas e a humanidade em torno dessas.

O roteiro apresenta uma narrativa lírica sobre as relações de perda em diversas perspectivas, tendo como pano de fundo a adaptação áudio-descritiva, para deficientes visuais, de um filme que versa sobre o tema. Em sessões que reúnem funcionários da empresa criando a áudio-descrição e deficientes visuais, aborda-se as perdas inerentes à hermenêutica, aguçadas pelas diferentes percepções sensoriais e suas capacidades; o filme, objeto da interpretação, as perdas do parceiro e do amor; e a trama principal, a perda da visão, da sanidade, e de si mesmo, engendrando por escolhas que definem as reações às privações impostas pela vida, que podem, ao mesmo tempo, ceifar ou escambar caminhos e destinos.

 

 A direção é oportuna, apropriando-se do excesso de luz, da escuridão, do desfoque e de extratos restritos como elementos supressores da visão. Masatoshi Nagase, como Nakamori, cria um deficiente visual extremamente verossímil e uma personagem rica e complexa, Ayame Misaki, a Misaki, desenvolve muito bem as facetas emocionais da personagem, e o resto do elenco faz bonito. A fotografia potencializa as intenções da diretora, revelando e cortinando através do excesso ou ausência bem medidos da luz. A música gira em torno do piano, acentuando o lirismo do roteiro e acompanhando o ritmo da trama. A edição e arte são competentes.

 

Visões, sob perspectiva oriental, das perdas inerentes ao viver é o que Esplendor ostenta com o ardor, ao mesmo tempo, contido e profundo, inerente da cultura japonesa. Vale conferir.

 

 

TRAILER

 

 

 

 

Please reload

© 2018 por ACADEMIA DE CINEMA. Criado por Matheus Fonseca, todos os direitos reservados.

  • Facebook Social Icon
  • Twitter Social Icon
  • Instagram-v051916_200

CURTA-NOS NO FACEBOOK