120 Batimentos por Minuto - França – 2017

28 Dec 2017

 



Paris, 1989. A versão parisiense da associação americana ACT UP, Aids Coalition To Unleash Power, é criada na efervescência da pior epidemia das últimas décadas. Urgência é a tônica do período retratado, onde lutar pelo desenvolvimento e transparência dos tratamentos contra o HIV, contra a apatia do governo em promover campanhas claras, explícitas até, de prevenção à contaminação, em defesa das minorias – as prostitutas, os homossexuais, os estrangeiros, os viciados em drogas e os hemofílicos – e por suas próprias vidas era mister de seus integrantes.

A trama é um grande jogo político entremeado e destilado na história de Sean, um dos fundadores da ACT UP Paris, HIV positivo e doente. São descortinadas, em reuniões e ações da associação, as políticas governamentais, das grandes farmacêuticas, de outras associações e, principalmente, as internas, que submetem os membros a um jogo de poder, cujo resultado pode implicar em suas vidas ou suas mortes. Entre discussões e pilhérias, Sean e Nathan, HIV negativo, iniciam uma relação, cujo desfecho é prognosticado.

O roteiro de Robin Campillo é pormenorizado, pois baseia-se em suas experiências, e um tanto longo, mas desvela cruelmente as políticas, os costumes, as dores e as lutas de um período infame. A trama de Sean e Nathan é o fio condutor que revela todos os posicionamentos e disseca, minuciosa e impiedosamente, a AIDS, de sua brandura ao seu remate. Robin usa de imparcialidade quando expõe, inclusive, os hábitos da comunidade. Sua direção é competente com traços de originalidade nas transições entre cenas e conflitos. O elenco é jovem e funcional, do qual se evidenciam Nahuel Pérez Biscayart, como Sean, Arnaud Valois, como Nathan, e Antoine Reinartz, como Thibault. A edição é interessante, especialmente, nas transições diferenciadas. A música, a arte e o som cumprem suas missões sem grandes méritos e a fotografia é excelente.

120 Batimentos por Minuto é um filme-relato, é abrangente, é doloroso, é cruel e é, acima de tudo, real. A política do filme exorbita para a atualidade quando diretores como Pedro Almodovar e Barry Jenkins, de Moonlight, indignam-se com uma ausente indicação ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro. É compreensível até, pois lhes toca o âmago. Contudo, trata-se de um filme e, independente de quão nobre seja a sua causa, e é, esse deve ser avaliado sob os paradigmas da sua arte. Nesta perspectiva, de uma indicação ao Oscar, não seria merecedor, apesar do Grande Prêmio do Júri em Cannes, mas de sua ida ao cinema para assisti-lo, definitivamente, é. A Aids ainda é uma realidade, vale nos educar.

 

 

 

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