Blade Runner 2049-EUA-2017

8 Oct 2017

 



Hollywood tem investido em muitas sequências e remakes de clássicos com o único intuito de faturar, inserindo apenas muitas ações e efeitos mirabolantes resultando em trabalhos muito aquém dos originais e que têm desapontado e até desacreditado os verdadeiros amantes da sétima arte desse tipo de produções meramente comerciais.
Tal proposta tem resultado em grandes fracassos de publico e bilheteria (vide Ben-Hur e o recente O Estranho que Nós Amamos), para citar só dois exemplos.
Por isso, não há como não ter os dois pés atrás diante de mais outra continuação de um dos maiores épicos do cinema de ficção.
Compreensível.

Felizmente e surpreendentemente não é o caso aqui! O diretor Denis Villeneuve produziu um milagre de criação proporcionando uma experiência visual que, não só é fidedigna ao original como dialoga com ele em inúmeras referências e até o transcende na dialética.

Apostando em um desenvolvimento narrativo lento (como o original), esse salto de 30 anos no futuro, pega a perfeita e exata lacuna que Ridley Scott deixara em aberto na cena final conseguindo a façanha genial de criar uma obra densa, extremamente bem cadenciada que, ousadamente, extrapola os elegantes 163 minutos de projeção em uma trama muito bem elaborada que mantém o suspense até o derradeiro e emocionante final.

Inteligentemente o roteiro não perde tempo em revelar, já no início, os motivos e causas dos conflitos de cada personagem partindo para o emblemático plot existencialista dos robôs escravizados pelos humanos (tema fulcral da obra), mas não teme ir muito mais fundo nas questões dos sincretismos sociais, das minorias, do sistema capitalista, dos separatismos, dos preconceitos, abrindo um leque para discussões existencialistas sobre religião, filosofia e moral diante do esforço hercúleo pela manutenção do muro que divida as raças para a manutenção, a qualquer custo, do “status quo ante bellum”. 
Muito no que pensar! 

Independente da profundidade orgânica do roteiro, que em momento algum se desvia das questões da obra original – Mas se aprofunda-, a impecabilidade da direção de arte e da fotografia, seja nas cinzas paisagens com brancas árvores mortas, nos gigantes lixões de ferro, nas crianças sujas, nas ruas inundadas de néon azul-violáceo ou mesmo em um deserto alaranjado, tudo, é um deslumbrante espetáculo visual na alternância das paletas de cores sem perder a estética noir do longa de 1982, principalmente na inenarrável cenografia. 

Toda essa gigantesca sinergia visual (difícil imaginar se você ainda não viu), agregada a trincada e inovadora trilha sonora de Hans Zimmer com seu desenho de som assustador que, por si só, é uma experiência à parte agregando o todo, aliviada por breves momentos de humor sutil, em muito colaboram para o engrandecimento de um trabalho com um plot bem pequeno, mas de longa duração em seus desdobramentos.

Quanto às atuações, mais uma vez Villeneuve comprova sua maestria na direção de atores obtendo do elenco: Gosling, Robin Wright, Leto, Ana de Armas, até que finalmente surja um Harrison Ford, interpretações sólidas e mais que condizentes e verossímeis ao universo cyberpunk ainda que alguns tenham pequenas, mas sempre significativas participações. 

Enfim, Blade Runner 2049 coloca em tela alguns heróis, mas qualquer cinéfilo mais familiarizado com a sétima arte percebe que os verdadeiros responsáveis por esse trabalho futurístico- desafiador com suas perguntas atemporais, com questões absurdamente atuais, estão por trás das câmeras, nos bastidores de um dos filmes mais impressionantes dos últimos tempos que serve para reflexões múltiplas sobre as diretrizes do nosso planeta para que não tenhamos que fugir dele.

Ah, sim, é sempre bom lembramos que nossas memórias não são meros registros de fatos vividos e sim, recordações de delicadas emoções profundamente vivenciadas com nossas almas e é isso que nos distingue e nos define como humanos livres; seres que vivenciam a arte que promove a evolução da espécie pensante.

PS: Em Cartaz!

 

 

TRAILER

 

 

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