Columbus – EUA – 2017

22 Sep 2017

 



Columbus, IN. Jin, Casey. Coreano, americana. Columbus, IN. Um encontro, vários desencontros. Jim quer fugir, Casey quer ficar. Ele tem relação fria e distante com o pai. Ela, carinhosa e protetora com a mãe. Jin chega à Columbus para acompanhar seu pai, em coma, vítima de alguma coisa que não nos será esclarecida, e, pouco importa. Casey mora em Columbus, mas que, por algum motivo, não quer partir e, esse, muito importa. Casey e Jim. Columbus, Indiana.

Não há temas esgotados, mas falta de criatividade e histórias mal contadas que nos iludem e nos impelem a acreditar em esgotamentos, quando esgotamentos não há. E, quando menos se espera, uma grata surpresa nos imbui de nossa insignificância. E, Columbus, simples e humildemente, nos ilustra a nossa capacidade e, por exclusão, a nossa falta de. Columbus não é apenas mais um drama familiar, mas um exemplar de que uma história, por mais simples que seja, e é, que, quando bem contada, toca os nossos corações e ressuscita algo que acreditávamos extinto.

A beleza de Columbus não está somente na sua simplicidade, na meticulosidade ou no ritmo como a história é contada, mas na cidade em si. Columbus, supreendentemente, esbanja projetos arquitetônicos dos mais diversos, entre igrejas, bancos, casas etc. E, na arquitetura, encontramos não só o fio condutor, mas também seu principal e criativo elemento narrativo. Jin é filho de um conhecido arquiteto, mas não gosta de arquitetura, enquanto Casey, filha de uma ex-viciada, é apaixonada pelo assunto. Se nada tivessem em comum, mas têm, o tema os aproximaria, como os aproximou. E, entre uma beleza arquitetônica e outra, seus dramas são discretamente e superficialmente revelados. Mas quem precisa de profundidade, quando se tem Columbus?

Não à toa, Columbus se repete constantemente nesta narrativa, nesta análise. Columbus não é apenas um pano de fundo, e, nem aleatoriamente foi escolhida para sediar essa história, Columbus é a sua personagem principal, na qual os protagonistas vivenciam seus dramas, entre lindas e diversas cenas figurativas, que conduzem o espectador até o seu clímax e conclusão.

Kogonada, roteirista e diretor, estreante em ambas as funções, planeja tão meticulosamente seus enquadramentos que se percebe, não de maneira pejorativa, sua inexperiência e sua ingenuidade. O filme conta com enquadramentos belíssimos, mas vale ressaltar a cena em que Jin e Eleanor, personagem de Parker Posey, conversam no quarto entre diferentes profundidades e refletidos por espelhos. Tudo é arquitetonicamente pensado e realizado e, não coincidentemente, Kogonada é também o editor de sua obra, mas, neste caso, não poderia ser diferente. A fotografia é belíssima, afinal, trata-se de arquitetura, mas a música não fica atrás e o figurino é competente. Aplausos para Tina Kerr, responsável pelo casting. Haley Lu Richardson está fantástica como Casey e John Cho, excelente como Jin com “n”, mostrando para Hollywood, entre tantas polêmicas de “whitewashing”, do que um ator asiático, até então muito mal aproveitado, é capaz. Parker Posey e Rory Culkin têm pequenas e relevantes participações e, Erin Allegretti está muito bem no papel da mãe. Demais critérios técnicos não comprometem.

Não espere o espectador uma trama agitada ou conturbada, mas uma simples onde sua beleza encontra-se muito mais no que deixa de ser verbalizado, do que, muitas vezes, no que está sendo. Uma cena ícone é aquela em que se vê, mas não se ouve, Casey descrever suas emoções ao admirar uma de muitas construções em Columbus. É um filme singelo e lindo, claramente de um principiante, mas que conta uma história como muitos experientes ainda não conseguiram contar. Não perca.

– Por Fábio Ruiz.
PS: Em cartaz.

 

 

TRAILER

 

 

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