Pokot- Polônia-2017

27 Aug 2017

 



O vencedor do Urso de Prata do Festival de Berlin/2017, é, no mínimo, um filme mais que peculiar. Ok, é necessário e mais que necessário abrir a cabeça e esquecer as batidinhas formulas narrativas hollywoodianas e mergulhar em outro tipo de proposta do discurso narrativo e, também, na diferente arquitetura e urdidura de um bom suspense. 
Pontos para a Polônia! 

Com roteiro baseado no livro "Drive Your Plough Over the Bones of the Dead", A diretora Agnieszka Holland, vai tecendo uma série de desdobramentos inusitados onde, uma seqüência de misteriosos e brutais assassinatos é intercalada por momentos de discreta comicidade que permitem transitar pelo romantismo ao mesmo tempo em que pontua o espinhoso discurso de igualdade entre todos os seres: humanos e animais e o direito a vida!

Misturando o excêntrico e o exotérico e ainda flertando com o fantástico, em meio a cenários deslumbrantes, fotografia impressionante, grandes tomadas aéreas pontuadas por trilha sonora marcante e inquietante, “Spoor” vai conduzindo o expectador por caminhos inusitados da velha questão; “Quem é o assassino“ inserindo e articulando uma gama de personagens muito peculiares e encantadores à sua maneira.

Interessante notar que dentre essa “fauna ameaçada” o roteiro ainda pincela questões como religião e machismo sem desdenhar de fortes cenas de terror, muitas delas, espelhadas sutilmente nos olhos, olhos dos animais...

Com uma idosa protagonista carismática que reivindica os direitos dos animais seguindo o tipo “a louca da vila” (lembramos do ótimo A Louca de Chaillot-1969), pelo mesmo tom de vingança, “Pokot “ que poderia ser entendido como rastro na língua portuguesa, em muitas vezes parece perder seu sentido entre as inúmeras e geniais alegorias, mas é exatamente para coadunar com a falta de sentido da questão fílmica cerne e, nisso, é genial também.

Desenvolvendo-se por todas as estações do ano (e de caça), esse Thriller genuíno com excepcionais angulações da câmera, que se furta buscar a formula do clímax, consegue manter em 130 minutos de projeção a intensidade de sua atmosfera quase sobrenatural sem abrir mão do foco humanitário e da denúncia de forma muito espirituosa e até pungente em muitos momentos.

Infelizmente, sem data de estréia no Brasil...se é que vai achar espaço entre as bobagens comerciais.


 

 

 

TRAILER

 

 

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