FRANTZ – FRANÇA -2017.

25 Jun 2017

 

Por estar em cartaz nos bons cinemas e por suas nove indicações nas principais categorias do César 2017, (o Oscar francês) e, principalmente pela direção segura do conhecido cineasta, François Ozon, um grande mestre em contar estórias e histórias, fomos correndo assistir.

E, ainda que longo, foi um deleite pela estética clássica, pelo preciosismo estrutural, pela força das interpretações e pelo grande mergulho no macro e no micro das feridas indeléveis que a guerra trás para as almas e povos.

 

Centrado no logo após o fim da Primeira Guerra Mundial e na rivalidade, medo, desconfiança e hostilidade que restaram entre Alemães e Franceses, François Ozon, com controle total de como desenvolver sua narrativa, passeia por sutilezas éticas e comportamentais, expondo os dois lados do conflito sem perder o fio do mistério na condução magistral da urdidura do amor platônico que, “quando acontece é tarde demais” e nas mentiras piedosas com as quais temos que lidar para não impingir maiores sofrimentos a outrem e que até Deus perdoa.

 

Com uma direção de arte impecável, reconstrução de época primorosa e detalhista, fotografia belíssima e interpretações minimalistas fortíssimas na construção de personagens com grandes conflitos internos, Ozon nos leva a um passeio narrativo instigante abrilhantado pela paleta de cores alternantes em um clássico e belo exercício de como controlar a perfeição toda uma mise-en-scène cênica.

 

As uma hora e cinquenta minutos divididos em claros três atos que se entrelaçam em ritmo e cadências perfeitas (nunca para adeptos de adrenalina), indo e voltando por situações de extrema melancolia e rasgos de coloridas esperanças criam relações verdadeiras repletas das melhores e ternas intenções ainda que impedidas pelas culpas de caminharem pelas verdades.

 

Em meio a uma estória dramática que anda de mãos dadas com a tragédia, sem se afastar das realidades, Ozon deixa seu vigoroso discurso sobre os males e hipocrisias das guerras colocando o fardo nas mãos de uma personagem mulher, tão trágica quanto clássica que entra para a história do cinema.

Eis um trabalho para ser degustado, aos poucos, com todos os sabores que só um mestre pode oferecer.

 

 

 

 

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