Que Horas Ela Volta ?- Brasil - 2015

20 Sep 2015

 

Com roteiro em tom novelesco sobre dominação x submissão evoluindo pra drama com toques cômicos que, obviamente, não poderia excluir heróis carismáticos, vilões malvados e, claro, descambar na libertação final, encontramos alguns acertos e um bom número de desencontros.
Tecnicamente, até os 25 minutos, absolutamente nada acontece além da apresentação dos personagens, do universo no qual se inserem, um grande número de closes de nucas, pescoços, cabelos, costas e uma enormidade de cortes secos, vários picotes acelerados de cenas curtas que, felizmente são bem costuradas pela edição. 

O argumento bem encomendado e patrocinado com cunho de critica social, é tão maniqueísta que apela para estereótipos de antagonismos gritantes para fundamentar, criar e embasar a narrativa. Os ditos “opressores” são pintados como ociosos, indolentes, incompetentes, impacientes, dependentes de superficialidades banais e até de drogas. O contraponto fica por conta dos “oprimidos”, incansáveis, bondosos trabalhadores, dotados de um altruísmo invejável além de inteligentes, pacientes, equilibrados e capazes.
É muita dicotomia pra pouco roteiro, mas os inúmeros clichês necessitam do artifício.

Os diálogos (onde mais uma vez prevalece o velho problema do som ruim), usados com tom clichê-mordaz para enfatizar a proposta, são fraquíssimos e descuidados pois, se em um dado momento, um personagem textualmente afirma: “Não fazia outra coisa, só ficava estudando”, o mínimo de coerência seria ter mostrado essa ação antes. 
O uso e abuso de simbolismos ( mais abuso que uso), como reforço dialético- estético, nos fez pensar que existe uma paixão nacional por eletrodomésticos, pois em “O som ao redor” (indicado de 2013), tivemos a participação erótica e especial de uma maquina de levar roupa, enquanto aqui, há um personagem importante, presente em quase todas as cenas que, por não aparecer nos créditos finais não descobrimos o sobrenome: A geladeira. 

Bom, levar 57 minutos para abrir numa tomada externa totalmente irrelevante como todas as seguintes, parece tempo demais pra nada, mas felizmente, todo o trabalho oferta a gentileza de não ultrapassar os 115 minutos, ainda que seja estranho o fato de, numa casa ampla com direito a jardim com piscina, o carro da família necessite descer de marcha à ré até a porta da garagem. 

Com toda certeza, essa novela-cinema, com boas pitadas de humor tem todos os ingredientes empáticos para dialogar magistralmente bem com a platéia Brasileira, gerando comoções e ufanismos, pois não se pode negar que, o grande mérito está na Regina Casé (interpretando ela mesma), mas que, ainda assim, rouba o filme tornando-se a alma mater dele na ausência total de outras interpretações relevantes. 

A pergunta que deixamos em aberto é: O Oscar que, no ano passado (conforme previmos), deslumbrou-se com "IDA", a estória de duas mulheres, em preto e branco, vinda da Polônia, vai entender ou mesmo se interessar por proselitismos regionais? 
Quem viver...Verá! 

No mais, The Second Mother (ótimo titulo para o mercado internacional), com toda certeza vai te deixar com muita, muita vontade de tomar um sorvete. Pode ser de abacaxi.

 

 

TRAILER

 

 

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