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  • Fábio Ruiz

Verdades e Mentiras – França – 1973



#FForFake, do brilhante Orson Welles, é mais uma de suas pérolas. Equivocadamente classificado como documentário, o texto não passa de uma grande ficção que faz uso de fatos e personagens reais para analisar o papel das Artes e nas Artes no estabelecimento de verdades e mentiras, de verdadeiros e falsos. Inicialmente, Welles se apresenta como um mágico, um ilusionista, e promete pela próxima contar verdades baseadas em fatos reais, mas o que faz é expor o papel que as Artes, aqueles que as criam, que as negociam, e que as expõem no estabelecimento de verdades e mentiras, atualmente referenciado como FakeNews. O texto é brilhante e brinca com o espectador, que não sente o tempo passar ao longo da projeção narrada, na maior parte em “voice overs”, por Welles. Um belíssimo tratado, mais atual impossível, sobre manipulação, sobre engôdos, sobre Artes.



A direção, também de Welles, é brilhante, e lança mão do uso da metalinguagem para incluir as artes cinematográficas em suas alusões, que incluem as artes cênicas, as plásticas e as literárias em todo o seu discurso. Deslumbra como sai de dentro de uma cena para uma sala de edição onde vemos a referida cena em um pequeno monitor, entre outras transições entre fatos e ilusões, sem quebrar o fio condutor de seu discurso. Impressionam fotografia, edição e artes para a época, e a música é estrategicamente inserida e muito bem realizada.


#VerdadesEMentiras, um pseudo-documentário, um tratado mais do que atual sobre o papel das Artes na construção de “realidades” ou “falsas realidades”, na determinação de verdades, e de mentiras. Imperdível.