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  • Cardoso Júnior

Terra de Nômades – EUA - 2020


#Nomadland, baseado livremente no livro de Jessica Brude, roteirizado e dirigido pela prodigiosa Chloé Zhao (‘The Rider” comentado na análise nº 893), é uma espécie de “road movie” que desmonta o estilo do gênero sempre formatado em princípio, meio e fim, optando por uma estupenda jornada circular dentro de uma narrativa aparentemente solta onde a diretora ousa repetir algumas sequencias para estabelecer a passagem do tempo ou referendar o ciclo de vidas vividas a margem da dependência de estabelecer raízes, montar casas, e colecionar posses.

Muito dentro da linha filosófica do incrível “Into The Wild”, mas inovando no olhar poético que acompanha a protagonista, o roteiro genialmente mistura ficção com fatos e a sagaz câmera de Zhao capta não só uma das mais potentes atrizes atuais numa interpretação minimalista impressionante, mas também, uma gama de não atores, de rostos impensáveis em telas, interpretando a si mesmos alçando píncaros de realidade documental poetizada compondo uma linguagem visual genuína e única.


No cerne, a grande questão sobre abrir mão de padrões sociais pré-estabelecidos em busca de uma independência pessoal onde a dicotomia entre se estabelecer geograficamente pode ser tão impossível quanto abrir mão da liberdade que novas estradas, rumos e amizades podem oferecer as comunidades de andarilhos americanos que, não aceitam a terminologia “sem tetos”, pois entendem e até se orgulham de ser apenas “sem casas”.


Estruturalmente bem diferente de “Wild” (comentado em 28/01/15), o roteiro convida o expectador a analisar um estilo de vida desgarrado e perigoso sem nenhum tipo de julgamento enquanto a cinematografia naturalista de Zhao nos brinda com tomadas bem longas de belas paisagens em contraponto com oníricos closes nos atores promovendo muita introspecção analítica ao mesmo tempo que mantem um nostálgico mistério sobre as dinâmicas sociais e, ainda nos oferece um trabalho de fotografia, trilha e edição primorosos.


Portanto, #Nomadland, que tem como âncora e empuxo a espetacular Frances McDormand, pode até não agradar tanto um público desconhecedor dessa característica de vida genuinamente americana, entretanto, ainda assim, com todo seu regionalismo, o vencedor do Leão de Ouro/2020, é uma ode a sobrevivência e a empatia, algo que nosso mundo tanto conhece e carece.




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