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  • Cardoso Júnior

Somente os Animais – França-2020



Eis um daqueles trabalhos raros que, por não contar com nenhuma estrela de Hollywood e nem um nome comercializado na direção, tristemente passa despercebido pelo grande público acostumado a visitar obras que tenham esse apelo muita das vezes tão enganoso quanto medíocre.

Baseando-se no romance homônimo, o diretor Dominik Moll (Más notícias Para o Sr. Mars), reúne atores talentosos da nova geração francesa e nos apresenta um inspiradíssimo thriller de suspense e mistérios que nos arrasta com facilidade até seu final utilizando-se da “teoria dos seis graus de separação” para ciar uma sobreposição de seis vidas carentes e distantes que se embaraçam e se conectam a um crime.

Não que o artifício seja novo no cinema ou mesmo na literatura, pois já o vimos em Amores Perros ou Babel, para citar só dois bons exemplos, mas o argumento aqui, embora bem simples leva-nos por engenhosas mudanças de pontos de vistas sobre um mesmo fato ora fornecendo pistas, ora revelando segredos que, mesmo abrindo mão de reviravoltas surpreendentes vai nos engendrando numa trama atualíssima e muito bem amarrada.


Usando a estrutura de contos pessoais, o intrincado roteiro parte de um drama social onde a solidão é o mote principal, insere pitadas de um humor sui generis, transita por obsessões eróticas em personagens muito bem desenhados e motivados por uma gama de frustrações e insatisfação amorosas em meio ao frio congelante das nevascas e o calor escaldante da Costa do Marfim sem esquecer de um toque macabro pra nos envolver.

Com atuações interessantíssimas e uma cenografia inteligentíssima em sua simplicidade #SeuleslesBêtes, seduz de maneira eficaz por sua inventividade estrutural abrindo pequenos núcleos de mistérios para armar um quebra-cabeças que flerta com o absurdo e o real de maneira espetacular e, mesmo que a urdidura da estrutura seja meticulosa, ainda assim, umas pequenas impossibilidades podem incomodar, mas nunca atrapalhar o conjunto.

Assim, #OnlytheAnimals é a prova que Dominik Moll é um sopro de ar fresco no cinema francês e mundial também por perguntar:

“Sabe o que é amor? Sim. -Não! Você não sabe. Amor... é dar o que você não tem. Entende? -Sim. -Dar o que você tem é festejar. Mas amar é dar o que você não tem. -Você está pronto para dar o que não tem?”


O mais é se deixar enredar!



Ps1: Disponível em VOD