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  • Fábio Ruiz

O Paraíso Deve Ser Aqui – Palestina – 2019



#OParaísoDeveSerAquitraz a circunspeção crítica de Elia Suleiman, diretor, escritor, ator e personagem principal, em sua jornada metalinguística para produzir este filme. O texto traz ainda seu exame das sociedades Palestina, européias, em Paris, e americanas, em Nova Iorque, onde o que se vê não é a realidade, mas sua visão analíticadessa, enfatizando os absurdos, ou quase, ou insólitos de seus hábitos, culturas e aqueles inerentes ao processo de globalização avassalador que tomou a humanidade, em direções ainda incertas, nos últimos trinta anos, quando assistimos ao vivo os primeiros ataques americanos à Bagdá. As cenas, uma a uma, desvelam paradoxos de nossos cotidianos, dos mais ordinários aos mais complexos, como a formação do Estado Palestino. O roteiro nos força a enxergar nossas pequenas particulares absurdidades, por exemplo, o consumismo, e as grandes disparidades entre os ocidentais e os palestinos, que parecem derreter ao ocidente pela pasteurização provocada pela globalização desmedida.



A direção de Elia Suleiman é muito boa, mas algumas soluções não convencem, enquanto outras são brilhantes, como a passagem da personagem da terra para o avião. Sua atuação em personagem mais observadora e analítica é bastante expressiva, e quando verbaliza o faz com significação e propriedade. O elenco coadjuvante é funcional, grande destaque para a participação relâmpago de Gael Garcia Bernal. A fotografia é o grande destaque técnico, mas a produção merece realce ao realizar cenas em Paris e Nova Iorque em cenários quase vazios e de grande complexidade operacional. Música, arte e edição cumprem bem o seu papel.



#ItMustBeHeaven é um filme complexo, um pouco lento, e de difícil digestão, que nos força à constante reflexão, repleto de metáforas e conotações relevantes ao cenário da atualidade. Vale assistir.