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  • Cardoso Júnior

O Homem que Vendeu Sua Pele – Tunísia- 2021


Para surpresa de muitos, o filme tunisiano que conseguiu a proeza de classificar-se entre os cinco finalistas no Oscar 2021, é uma incrível e audaciosa abordagem faustiana que mistura de forma muito original e inteligente a arte contemporânea com questões sobre refugiados sírios e o capitalismo selvagem numa fusão de romance, drama e sátira repleto de delicioso humor surrealista.

Partindo de um impensável fato, a escritora e diretora Kauther Bem Hania, roteiriza uma incrível e incomoda jornada fictícia sobre a crise dos refugiados na Europa e a consequente exploração do mercado de trabalho criando uma ótica sociopolítica toda própria para levantar incomodas questões sobre direitos humanos, mas sem pretender apresentar respostas dentro da narrativa composta de geniais ideias que não temem constantes mudanças de expressão.

#TheManWhoSoldHisSkin, com sua espetacular e estimulante captação do imagético artístico através de inúmeros e prazerosos sinais idiossincrásicos, - a sensualidade colorida de corpos humanos, muitos espelhos refletindo o bipartido e até telas de computadores-, levando o espectador por pictóricos caminhos inovadores da diegese cinematográfica para provocar, através da arte moderna, uma importante reflexão sobre a tênue linha que separa uma vítima degradada do explorador do sistema capitalista.

Se seres humanos podem ser mercadorias (há um preço pra tudo nos mercados e leis permissivas), é pergunta que a genial cineasta não responde, porém ao nos desafiar a quebrar a cabeça e unir pontos no desfecho de seu irônico terceiro ato, nos traz a certeza de que ela pintou com maestria uma tela escandalosamente perturbadora.

Assim, #Lhommequiavendusapeau, (que me pareceu uma mistura bem feita de The Square com Animais Noturnos comentados em 26/01/18 e 7/01/17), mesmo com pequenas falhas é um trabalho repleto de luzes, fogos, angulações inovadoras com uma banda sonora de cordas com interseções operísticas e interpretações excelentes, levado as telas por uma diretora original, que não teme ousar e que devemos ficar de olho desde já.





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