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  • Foto do escritorCardoso Júnior

O Crime é Meu – França- 2023

Atualizado: 16 de ago. de 2023



Quando se trata de um filme do diretor francês, François Ozon, é impossível não sair correndo pra ver seu último trabalho ainda que sua extensa filmografia oscile eventualmente, mas, felizmente, não é o caso desse delicioso #MonCrime.


Baseando-se em uma peça de teatro dos anos 30, Ozon faz sua livre adaptação/atualização do texto optando por manter a ambientação numa Paris dos 30, dando um verdadeiro show de reconstrução de época e direção de arte seja nos cenários, figurinos, locações, iluminação e fotografia, remetendo-nos à uma aura teatral envolvente em um suspense criminal permeado com um humor muito bem dosado que vai instigando e provocando o espectador a acompanhar com máxima curiosidade o desenrolar da muito bem estruturada trama.

Com ritmo dinâmico ajudado pela irrepreensível montagem Ozon vai trabalhando as viradas de roteiro com perfeição sempre utilizando-se do cômico - quase pastelão e caricato - pra criticar com veemência o machismo na sociedade parisiense da década de 30 onde as mulheres ainda não podiam votar e seus papeis na sociedade eram limitados e a maioria era abusada (física ou mentalmente) por seus próprios maridos, criando uma estória de empoderamento feminino através da autenticação da legítima defesa e da criação de uma mulher símbolo desse movimento de emancipação desarmando o estigma de gênero.

Com elenco primoroso em atuações relevantes, cabe destacar a fulgurante entrada (lá pelo ato final) de ninguém menos que a deusa Isabelle Huppert numa interpretação arrebatadora que não só magnetiza a tela enquanto engrandece e muda os rumos da trama.

Assim, Ozon, em seu #OCrimeéMeu, faz uma inteligente mistura de gêneros, consegue manter sua conhecida peculiaridade que é de sempre colocar uma lupa sobre a vida íntima de suas personas, provoca e ironiza as encenações do sistema judiciário, levando-nos numa deliciosa viagem pelo tempo acompanhados de personagens extraordinários.




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