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  • Fábio Ruiz

Lindinhas – França – 2020


Quais os limites das Artes? É a grande questão que o filme #Mignonnes suscita. A dramaturgia, sem uma espinha dorsal definida, vide a sinopse pouco assertiva, oscila em torno da personagem Amy, uma menina do Senegal, vivendo na França, que, inconformada com o segundo casamento do pai, entra em franca crise púbere, manifestando-se em sexualização exacerbada, quando se junta a um grupo de meninas, também vivenciando crises similares.


A dramaturgia de #Cuties não se propõe, em momento algum, a uma análise crítica da hiper-sexualização, expondo apenas um painel evolutivo e crescente da irritação de Amy, através de manifestações cada vez mais explícitas de sua sexualidade que chocam pela ausência de estofo analítico, tornando-se um cenário de uma menina problemática, que ultrapassa todos os limites para entender a sua revolta e o seu lugar até uma conclusão pouco crível em uma redenção milagrosa e instantânea como sabemos não existir.

A direção de Maimouna Doucouré parece a visão de um pedófilo da hiper-sexualização com demais enquadramentos e distanciamentos que valorizam a visualização de seios, nádegas, e pélvis, inclusive com pernas abertas, das meninas mesmo em cenas onde não há sexualização na dramaturgia, onde tal artifício além de desnecessário, é inapropriado, e ainda mais quando as cenas pretendem sexualizar. Tal cenário é evidenciado inclusive na cena religiosa quando Amy parece incorporar alguma entidade ou exorcizar algo.


O elenco infantil se destaca mais por sua hiper-exposição, do que por sua atuação. Choca ver meninas de onze anos, expostas de forma grotesca à equipe de filmagem, onde cenas e sequências são repetidas à exaustão. A arte, especialmente os figurinos, acentua a sexualização com vestuários que não condizem com qualquer realidade que já tenha presenciado em escolas brasileiras, vide a primeira cena no colégio quando as meninas fingem de estátuas sensuais.

Retomando a questão inicial. Quais os limites das Artes? Vale lançar mão da sexualização exagerada para analisar a questão (mesmo que o filme não seja analítico)? Não há cinematograficamente ou na dramaturgia soluções que não exponham ostensivamente crianças para apresentar o mesmo cenário? Saudades dos grandes, de Welles, de Kubrick, de Hitchcock, de Chaplin, de Truffaut, de Bergman, de Kurosawa, de gênios, que certamente encontrariam soluções elegantes e até mais pungentes para tratar do mesmo tema sem serem minimamente apelativos. Reside aí a diferença entre a genialidade e a mediocridade.




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