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  • Cardoso Júnior

Charter Suécia-2020


O candidato da Suécia no Oscar 2021, busca retratar os percalços vividos por uma mãe interiorana que, ao também desejar sua emancipação como mulher e sua independência, deixa seus dois filhos com um pai ressentido que trata de pintá-la como psicopata não só para a família bem como para toda a comunidade, proibindo-a de ter acesso as crianças.

O roteiro da premiada diretora e escritora sueca Amanda Kernell, aborda de forma inovadora e muito sensível questões como a dinâmica familiar e o sofrimento de filhos colocados em meio a um fogo cruzado entre seus progenitores sem saber em quem acreditar principalmente quando lhes é exigido o tempo todo optar com quem realmente querem morar.


O bem estruturado roteiro faz um interessante estudo de personagem (a mãe), sem trilhar os batidos caminhos das explicações de muitos por quês, preferindo deixar pistas para o atento expectador deduzi-las enquanto arma e desarma uma série de suspeitas deixando-nos, em sua elegante uma hora e trinta minutos de duração, envoltos em dúvidas e com a incomoda sensação de que algo de muito ruim poderá acontecer a qualquer momento com as crianças.


Com bela fotografia, #Charter, aposta e acerta na mise en scène e nas performances do trio principal onde momentos de tensos silêncios competem com angustiantes trocas de olhares captados por uma câmera hábil em registrar genuínos elementos de muita tensão e alguns alívios situacionais.

Assim, mesmo que me pareça obra com poucas chances comerciais, vale refletir sobre essa experiência e tirar suas próprias conclusões sobre a insanidade ou não da protagonista, pois o julgamento está nos olhos de quem a vê.




TRAILER







Ps1: disponível em VOD