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  • Fábio Ruiz

Best Sellers – Canadá – 2021



#BestSellers, escrito pelo estreante Anthony Grieco, é um texto interessante na medida em que sua espinha dorsal está a serviço de algo além da dramaturgia, a criação de uma relação de confiança entre autor e editora, tendo como mote a turnê de divulgação do último livro de Harris Shaw, acompanhado por Lucy Stanbridge, sua editora, causando um tanto de ansiedade no espectador, que espera maiores transformações das personagens ou reviravoltas mais profundas, que acabam por não acontecer, fato apenas compreendido no final quando se conhece os cenários precisos envolvendo ambas as protagonistas. O texto falha ao fazer iterações rápidas de passagens da turnê que não evoluem a estória, tornando-se vazias. Entretanto, a reviravolta final além de interessante, explica o comportamento inabalado de Harris, e o real objetivo do texto, a entrega pelo criador de suas criaturas a alguém em quem confie para manter o seu legado.

Michael Caine está excelente, e transformado, em uma personagem pouco usual em sua carreira, um bêbado, desbocado, intransigente, decadente e sem qualquer glamour. Aubrey Plaza faz excelentes entregas nas cenas mais contundentes e viscerais, mas poderia ser melhor nas mais ordinárias. O resto do elenco é interessante, Scott Speedman está um tanto canastrão, e Cary Elwes, irreconhecível. A direção da estreante em longa-metragens, Lina Roessler, é surpreendentemente muito boa para a sua experiência, mas evidencia muitas vezes a sua inexperiência. Critérios técnicos são todos muito bons, sem destaques.


Best Sellers é uma brisa de ar fresco no cinema de língua inglesa, e um sinal de que espaços, deixados por aqueles mais preocupados com proselitismos e ideologias do que com a dramaturgia, começam a ser ocupados por novatos, que, com um elenco bem heterogêneo e com a vontade de contar uma boa estória, entregam obras surpreendentes como esta.