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  • Fábio Ruiz

A Vida Invisível – Brasil – 2019

Atualizado: 21 de Mar de 2020


#AVidaInvisivel, filme de Karim Aïnouz, baseado no romance de Martha Batalha, A Vida Invisível de Euridice Gusmão, com roteiro de Murilo Hauser, Inés Bortagaray e do próprio Aïnouz, é um obra, como poucas realizadas no país, que consegue mesclar, harmonicamente, o lirismo à dramaturgia, sendo o último exemplo de tal feito, Central do Brasil. #InvisibleLife conta, na década de 50, a história de duas irmãs separadas por preconceitos e costumes da época, que, desconhecedoras do fato, vivem no Rio de Janeiro, sem se encontrarem. O texto lança um olhar delicado e sensível no universo feminino, e das relações fraternais, verdadeiramente, calcadas em sentimentos.

A direção de Aïnouz é ótima e, consegue, com pequenas falhas, com seus recortes contextualizar a história no Rio de Janeiro, e conduz com mãos firmes um elenco, em sua maior parte, excelente. Aïnouz se equivoca em algumas cenas de nudez, especialmente, a da ereção de Gregório Duvivier que rebaixa a obra e quebra o lirismo, há soluções mais interessantes. Julia Stockler, a Guida, o maior destaque do elenco, constrói uma personagem crível, humana, e patente; Carol Duarte, também se destaca, com uma atuação que poderia ser um pouco menos fria e distante; Bárbara Santos, a Filomena, também se sobressai, bastante contundente.

Fernanda Montenegro, em pequena participação, oscila entre momentos emocionalmente perfeitos, e outros, nem tanto; e, Gregório Duvivier é o elo fraco no elenco, sem conseguir transmitir a vilania necessária à personagem, como Danny Glover fez em A Cor Púrpura, guardando as devidas proporções. A música é o quesito técnico que chama atenção, mas fotografia, arte, e edição são ótimas.


A Vida Invisível, um belo exemplar daquilo que esperamos do melhor cinema brasileiro. Imperdível.