logo.png
  • Cardoso Júnior

Perdi Meu Corpo – França- 2019

Atualizado: Ago 9


A animação francesa que vem colecionando prêmios neste ano, passa bem longe de ser trabalho destinado ao público infantil. Pelo contrário. Baseada no best seller homônimo, #J’aiPerduMonCorps,

parte de premissa bizarra, mas que captura o expectador logo no começo levando-o ao fim com muita facilidade, embora não necessariamente com plena satisfação do conjunto.

Com roteiro cuja estrutura seciona o protagonismo e protagonista, #PerdiMeuCorpo utiliza-se do macabro para buscar o lírico, consegue o intento, formula inúmeras metáforas, deixa muitas pelo caminho carentes de explicações, enquanto nos apresenta a inusitada e interessantíssima jornada de uma resiliente e incansável mão em busca de seu conformado dono, costurando, através de flashbacks, as duas pontas da narrativa.

Então e aí, acontece o problema: A saga da mão e todas suas peripécias, mesmo que brinque com o surreal, é intrigante e compreensível a ponto de dispensar diálogos enquanto a vida do personagem co-principal é sem graça para forçar uma perspectiva de conflitos e ou questionamentos filosóficos do tipo: O destino é algo escrito ou podemos alterá-lo de alguma maneira?

Com essa pegada, o naturalismo dos traços reforçado pela fotografia alternante entre tons escuros (uma infância preto e branco) e cores vivas e um designer de som interessante, a estória acrescenta camadas de mistérios bulindo com a curiosidade do público mesmo que, no último ato, abandone o caminho do perturbador enviesando pelo presunçoso ao deixar uma série de signos em aberto.


Interessante na premissa da mão (e muitas mãos), que luta contra o destino e no original traçado, “Perdi Meu Corpo” se esvai na cena final, necessitando de um guindaste para erguer à luz sua conclusão, batendo a porta na sua cara.

TRAILER

#Animação #França #Análise