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  • Fábio Ruiz

Vidas Duplas – França – 2018

Atualizado: Ago 8


Vidas Duplas, #DoublesVies, é complexo, existencial – tratando de diversas questões prementes da atualidade em torno do mercado editorial e da literatura na era digital, abrangendo, inclusive, indagações além desses âmbitos –, e circunstancial, sua espinha dorsal dramatúrgica é tênue.


Léonard, um escritor de autoficções, e Alain, seu editor, encontram-se em situação peculiar quando o segundo decide não lançar o último romance do primeiro, diante dos novos desafios impostos pelas transformações do mercado na era digital. O roteiro de Olivier Assayas, de Personal Shopper, é rico em densos diálogos existenciais sobre política, literatura, relacionamentos, mercado editorial, entre outros, contextualizados em situações oportunas da contemporaneidade centrados nos questionamentos dos valores culturais na era do e-book, como a ânsia, em sentido amplo, de se posicionar na vanguarda tecnológica mesmo sem a asserção de sua efetividade e sucesso, mas também de valores de diversas naturezas, como a conjugal e a política. Contudo, a oportunidade situacional, ocasionalmente, tange o artificioso, tendendo ao didatismo, sem significante comprometimento do fluxo conjuntural que permeia as diversas perspectivas existenciais enfocadas.


A direção de Assayas é firme, trazendo movimentos de câmera interessantes, que, às vezes, demais abruptos, desnorteiam o espectador. Juliette Binoche, Guilaume Canet, Vicent Macaigne, Christa Théret e Nora Hamzawi dividem o protagonismo em enredo de conjunto com muita harmonia e excelência. A fotografia é ótima, a música e ritmo dramatúrgico conluiem com precisão, edição e artes são muito boas. #VidasDuplas é um retrato de uma elite cultural francesa na contemporaneidade diante de dilemas de diversas naturezas, tantas, que eclipsa o foco essencial do discurso, a tese defendida. Vale conferir. Em cartaz. #CaliforniaFilmes #PlayTime California Filmes

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#Europa #França #Análise