• Fábio Ruiz.

A Árvore dos Frutos Selvagens – Turquia – 2018


#AhlatAgaci, #TheWildPearTree, é, literal e metaforicamente, uma grande jornada. O filme, apesar das três horas e oito minutos de duração, assistido sem a percepção do tempo – vale uma ida ao banheiro anterior à projeção –, acompanha o retorno de Sinan ao lar, após completar a faculdade, quando diante das incertezas do futuro, questiona tudo e a todos.

O roteiro de Akin Aksu, Ebru Ceylan, Nuri Bilge Ceylan, embora essencialmente situacional, que, geralmente, enfoca mais as transformações das personagens, mais especificamente da protagonista, enquanto vivenciam as situações, imbui-se também de uma espinha dorsal discernível, o acerto de contas de Sinan com o seu passado, e nesse sentido, o roteiro narra a sua trajetória catártica, ao mesmo tempo que o transforma sob as intempéries situacionais.

Em seu percurso, Sinan, aspirante a escritor e questionador, confronta diversas dimensões da vida: relações com flertes e amizades de infância; parentais, individualmente com seu pai e sua mãe, com seus avós e com sua irmã; com os vícios e outras idiossincrasias humanas; com o Estado, a política e o “status quo”; com o empresariado, com o mercado editorial e escritores; e, finalmente, com a religião. O roteiro, juntamente com a direção, insere, inteligentemente, fluxos de pensamento do imaginário de Sinan na trama, que exigem atenção para identificá-los, mas rompimentos abruptos do curso narrativo ajudam nesse sentido.

A direção de Nuri Bilge Ceylan é excelente, poética, sem ser cansativa, e encontra o ritmo ideal para um roteiro que, facilmente, descambaria para o arrastado. Há diálogos de muita densidade e profundidade, exigindo muito dos atores. Dogu Demirkol, o Sinan, apesar de inexperiente, concede veracidade à personagem. Murat Cemcir, camaleônico, o melhor em cena, deixa o espectador entre o ame ou odeie Idris, sua personagem e pai de Sinan. Bennu Yildirimlar está ótima como Asuman, a mãe, e Hazar Ergüçlü, linda e convincente, como uma amizade e flerte do passado. A direção e a fotografia, em conjunto, encontram ângulos belíssimos que além de adicionar ao situacional, desvelam paisagens diferenciadas da Turquia. Apesar de pequenas falhas, como o som exógeno do helicóptero na primeira cena, arte e edição são ótimos, idem a música que adiciona dramaticidade à narrativa.

Uma belíssima jornada, sob os paradigmas da sociedade e cultura turcas, de um jovem, repleto de incertezas do futuro, em busca de seu modo de viver e questionando o mundo ao seu redor é o que traz#AÁrvoreDosFrutosSelvagens, ou a pereira selvagem, se traduzido do inglês. Integrante da seleção oficial de Cannes de 2018, vale muito assistir.

Em Cartaz.

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#Turquia #Oscar2019

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