• Fábio Ruiz.

Quebra-Cabeça – EUA – 2018


Agnes mora em um subúrbio próximo a Nova Iorque, casada, com dois filhos jovens, e vive, sistematicamente, a mesma rotina, de dona de casa e católica praticante, todos os dias. Quando sua tia lhe dá de presente um quebra-cabeças, em seu aniversário, ela começa a questionar seus paradigmas.

O roteiro de Polly Mann e Oren Moverman, baseado no filme argentino ”Rompecabezas” de Natalia Smirnoff , ilustra o cenário de grande parte da população norte-americana, alienada, presa a preceitos religiosos, confinada aos seus subúrbios, sem grandes ou quaisquer expectativas. Agnes, ao descobrir que é hábil na montagem de quebra-cabeças, tem sua autoestima elevada, fazendo com que perceba um mundo mais amplo do que estava acostumada, e, em uma viagem a Nova Iorque, onde não pisava há anos, apesar da proximidade, vê um anúncio de uma pessoa buscando um parceiro para o concurso nacional de duplas de quebra-cabeças, que a leva a conhecer Robert, um inventor indiano, que ficou rico com uma única patente, mas que não inventou mais nada desde então, que busca nos concursos uma forma de se entreter e realizar, e a interação entre o cosmopolita e estrangeiro Robert e a suburbana e doméstica Agnes irá revolucionar ambas as suas vidas.

A direção de Marc Turtletab acompanha a evolução da trama e da personagem Agnes, sendo simples e comum no início, e evoluindo, aos poucos, com tomadas e enquadramentos mais distintos e interessantes. Kelly Macdonald, apesar da delicadeza dos conflitos cênicos, compreende as tensões em jogo, criando uma personagem sólida e verossímil. Irrfan Khan, apesar de não posicionar bem os braços enquanto anda, também tem boa atuação. David Denman faz um excelente contraponto como o marido de Agnes, e os jovens Austin Abrams e Bubba Weiler estão ótimos como seus filhos, especialmente, o último. A música, delicada, contextualiza muito bem o enredo, idem, a fotografia. Arte e edição são competentes.

Um filme, sutil e contemporâneo, ilustrando a realidade americana e o preço de se quebrar paradigmas, é o que mostra Quebra-Cabeça, do produtor de Pequena Miss Sunshine. Vale assistir.

PS: Em cartaz.

TRAILER

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