• Fábio Ruiz.

Limites – Canadá – 2018


Laura, quarentona e divorciada, mãe de Henry, tem dificuldades em estabelecer limites. Quando Jack, seu pai, idoso, é expulso da casa onde mora, Laura é forçada a dirigir do estado de Washington à Califórnia para o levar à casa de sua irmã, em Los Angeles, onde ele ficará. O roteiro de Shana Fest é linear e, na primeira cena, estabelece a premissa básica sobre a qual desenvolveria a trama: um filho com problemas de relacionamento, um pai contraventor e ausente, para os quais Laura não consegue estabelecer limites, inclusive para si mesma, que, sistematicamente, adota sempre que encontra um animal abandonado. Ao pegarem a estrada para levar Jack à Califórnia, a tese acerca da protagonista e seus limites é progressivamente abandonada, dando lugar ao acerto de contas de Laura com o seu passado, que se procede durante a viagem pela costa oeste dos EUA.

Completamente sem limites, a trama se torna uma simples comédia situacional em que Laura terá que confrontar o seu relacionamento com seu pai, que trafica durante no trajeto, com seu ex-marido, com quem ainda havia pendências emocionais, e tentar ajudar o seu filho, que foi expulso da escola por fazer um desenho da diretora nua. Ao menos, o roteiro apresenta diálogos afiados e cenas engraçadas, mas não evolui mais. A direção de Shana Fest é regular, como o seu roteiro, mais do mesmo. Contudo, vale elogiar o trabalho de condução dos atores. O elenco eleva o filme, mesmo com um texto um tanto desconexo, Vera Farmiga, a Laura, Christopher Plummer, o Jack, e Lewis MacDougall, o Henry, conseguem preencher as falhas dramatúrgicas com boas atuações. Vale ressaltar as participações de Peter Fonda, Christopher Lloyd, Bobby Cannavale e Kristen Schaal. Fotografia, arte e edição cumprem seus papéis sem destaques ou ressalvas, e a música funciona muito bem para um filme na estrada.

Uma família disfuncional, uma viagem na estrada, acertos de conta, um, como tantos já realizados; faltaram diferenciais para o destacar da massa pré-existente, mas não deixa de ser um filme bonitinho e engraçado, que, muito possivelmente, agradará muitos.

PS: Em cartaz.

TRAILER

#AméricadoNorte #Canadá

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