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  • Fábio Ruiz

A Vida Em Família – Itália – 2017

Atualizado: 22 de Ago de 2020


Em Disperata, uma pequena e humilde cidade litorânea italiana, a vida de diversas personagens é retratada após a prisão de Pati, por tentativa de assalto e morte de um cão, promovendo mudanças na cidade e em seus habitantes.

O roteiro de Alessandro Valenti e Edoardo Winspeare, linear, apresenta uma trama de conjunto, onde diversas personagens dividem o protagonismo na ação. As vidas de Filippo, o prefeito, Pati, um assaltante, Angiolino, seu irmão e comparsa, Eufemia, ex-esposa de Pati e conselheira da cidade, Biagetto, filho de Pati e Eufemia, e Valentina, sua enamorada, serão permanentemente afetadas quando Pati vai preso em uma tentativa frustada de assalto a um posto de gasolina.

O texto adentra o absurdo, durante toda a projeção, criando um certo desconforto proposital no espectador, para incitar a reflexão, vemos absurdidades na política, que oscila entre estereótipos bem definidos, os empreendedores capitalistas e os do povo, taxados de “comunistas”, nas relações amorosas, religiosas, familiares e sociais, imprimindo tons de comédia. Contudo, apesar da tese de que a vida em comunidade, que é a tradução literal do título italiano, seja um total e completo despautério, os conflitos são superficiais e de fácil resolução como se fosse um “feel good movie”, desprendendo quase por completo o interesse e beliscando o tedioso.

A direção de Edoardo Winspeare endossa a tese, estimulando atuações superlativas, beirando o histriônico, mas seus enquadramentos poderiam ser mais oportunos e o ritmo mais veloz. O elenco é bom e afinado, com maior destaque para Gustavo Caputo, o prefeito. A fotografia é competente; a arte, um tanto desleixada; a música, adiciona ao absurdo; e a edição é razoável.

Um filme de conjunto é sempre uma aposta mais arriscada, pois não há protagonismos, e como tal, mais difícil de se realizar com sucesso. A Vida Em Família é um válido esforço nesse sentido.

PS: Em cartaz.

TRAILER

#Europa #Itália