• Fábio Ruiz.

Lámen Shop – Singapura – 2018


Masato vive em Takasaki no Japão, onde é um chefe Lámen e trabalha no restaurante de seu pai, um homem fechado e distante, que morre inesperadamente. Ao arrumar os pertences dele, Masato encontra o diário de sua falecida mãe, que o impulsiona a uma jornada culinário-emocional na Singapura, onde morou quando criança, e procura compreender o seu passado e de seus pais.

O roteiro de Fong Cheng Tan e Kim Hoh Wong conta uma estória singela, mas que alude mais às emoções do que aos fatos, entrelaçando antigos e novos vínculos em uma viagem gastronômica, onde Masato retoma o seu passado e aguça o seu presente assimilando conhecimentos das diferentes cozinhas que permeiam a sua história. Seus escritores defendem a importância sociocultural dos hábitos alimentares, não somente culinários, mas também cerimoniosos, na formação de caráteres e no estabelecimento de vínculos afetivos, familiares ou não, e nos deixam com água na boca quando ostentam cozinhas de origens diversas enquanto aprofundam os conflitos emocionais e desvelam o misterioso passado de Masato e sua família, transitando em antagonismos históricos subsistentes desde a Segunda Guerra Mundial; e soerguem o famoso dizer, “nós somos aquilo que comemos”, de uma simples conjectura física, para outras, emocionais, culturais, sociais, familiares e históricas, que muito mais fazem sentido do que a nossa composição físico-química.

A direção, de Eric Khoo, é simples, mas bastante funcional, com escolhas de planos e enquadramentos que acentuam o lirismo do enredo, especialmente, aqueles gastronômicos, onde a beleza da culinária abraça tanto as dores e os prazeres das experiências de vida. Takumi Saito, como Masato, capta e preconiza os vieses emocionais do texto; Seiko Matsuda, a Miki, uma blogueira sobre cozinhas, concede bastante veracidade à personagem; e o resto do elenco é competente. A fotografia, também simples, igualmente destaca o lirismo gastronômico; idem, música e arte; e a edição, por vezes, dificulta a distinção do presente ficcional de memórias em flashback, mas é, essencialmente, boa.

Uma excursão gustativa pelas história, memória e vida de Masato, sob a tutela do diário de sua mãe, é o enredo principal de Lámen Shop, que apresenta aos expectadores deliciosas redenções. Vale assistir.

PS- Em cartaz

#Análise #Asia

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