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  • Fábio Ruiz

Sicário – O Dia do Soldado – EUA – 2018

Atualizado: Ago 18


Após um atentado suicida em solo americano, as investigações concluem que os terroristas entraram ilegalmente no país através da fronteira do México, fazendo com que os Estados Unidos adicionem os cartéis das drogas mexicanos, que controlam a imigração ilegal na divisa, à lista de organizações terroristas e deflagrando uma retaliação secreta que promoverá uma guerra entre as facções mexicanas inimigas.

O roteiro de Taylor Sheridan, indicado ao Oscar por A Qualquer Custo, dá continuidade a saga das personagens Matt Graver e Alejandro, interpretados, respectivamente, por Benicio Del Toro e Josh Brolin, iniciada no primeiro filme da série, Sicário – Terra de Ninguém, de 2015. Matt é convocado para investigar e desmantelar o esquema que facilitou a entrada de terroristas no país em uma ação de caráter ilegal. Matt recruta Alejandro, um advogado, cuja família foi morta por um dos cartéis alvos da missão, para deflagrar uma guerra entre os principais responsáveis pela imigração ilegal, sequestrando a herdeira daquele que aniquilou seus entes queridos. Sheridan, com o uso constante de hipérboles, aborda temas prementes do cenário americano, como as delicadas relações fronteiriças entre México e os EUA; a criminalização da migração, controlada pelos cartéis de drogas que lucram com rebanhos humanos, com os quais não assumem riscos ou responsabilidades; e a dicotomia e falta de perspectivas daqueles que vivem, literalmente, em ambos os lados da divisa, ilustradas através da personagem Miguel Hernandez, um adolescente americano do Texas, arregimentado pelo cartel de Reyes para auxiliar na entrada ilegal por aquela separação; e os agudiza quando a missão começa a sair dos trilhos, quebrando todas as amarras legais e morais, dentro e fora do grupo.

A direção Stefano Sollima capta muito bem a atmosfera do texto e a imprime em sua função exorbitando na crueza e tangendo, propositadamente, por diversas vezes, a verossimilhança. Atenção à cena em que a personagem Alejandro executa um membro de um cartel na calçada. Benicio Del Toro está excelente em seu papel, conferindo-lhe credibilidade em meio a tantos excessos. Josh Brolin, idem. Isabela Moner, como Isabel Reys, herdeira do cartel, está muito bem em personagem acessória, e Elijah Rodriguez se sobressai como Miguel Hernandez, a personagem mais interessante e contundente da trama. O resto do elenco, com nomes de peso, é competente, mas sem grandes participações. A fotografia, edição e efeitos e visuais, excelentes, contribuem para estabelecer as tensões almejadas pelo roteiro, a música e efeitos sonoros, também, mas superlativos. Um thriller político, que aborda diversas questões em voga na atualidade e repleto de tensões, mas que, como a maioria absoluta das sequências, não supera o original, apesar da relevância de suas tangências. Vale assistir. PS: Em cartaz.

TRAILER

#Hollywood #Análise