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  • Fábio Ruiz

Olhos do Deserto – Canadá – 2017

Atualizado: Ago 21


Em Detroit, Gordon trabalha em uma empresa de segurança, onde supervisiona, com robôs teleguiados, oleodutos no norte da África. Em uma incursão pelo deserto com um hexapod, ele escuta o plano fuga de Ayusha, que está prometida a um homem que não ama, e Kaarim, sua paixão proibida. E, vivenciando a recente perda de seu amor, decide ajudá-los a escapar.

A trama ostenta originalidade que o roteiro não honra, apesar dos arquétipos shakespearianos e dos simpáticos robôs, fraquejando na densidade e profundidade dos conflitos em cena, mesmo que apresente dramas, até certo ponto, contundentes. A rapidez e facilidade com que os reveses são transpostos e as suas superficialidades extenuam o fio condutor o tornando débil e pouco empolgante, mas ainda assim estampa dramaturgia estruturada.

A direção de Kim Nguyen, cujo filme A Feiticeira da Guerra foi indicado ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro em 2013, é ótima, desenvolvendo planos cativantes, especialmente no deserto. Joe Cole, em atuação relevante, faz o espectador torcer e vibrar por sua personagem. Lina El Arabi retrata muito bem a jovem mulçumana, mantendo suas características, mesmo em rebelião com seus pais. O resto do elenco é funcional, destaque para Brent Skagford, como Peter. A fotografia é excelente, especialmente as noturnas. A música é oportuna, contextualizando o tom romanesco, o figurino é competente e a edição é vultosa.

Olhos do Deserto ilustra cenário muito comum no cinema da atualidade: uma excelente ideia, elementos e atuações consistentes, mas cujo desenrolamento é superficial. Apesar disso, ainda é um filme interessante e merece ser visto.

PS: Em cartaz

TRAILER

#AméricadoNorte #Análise