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  • Fábio Ruiz

À Sombra de Duas Mulheres – França – 2015

Atualizado: Ago 21


Manon e Pierre são um casal, trabalham juntos fazendo documentários, e ambos têm outras ocupações para o seu sustento, mas suas rendas mal bastam para pagar o aluguel. Quando Pierre tem um caso com Elisabeth, as consequências são maiores do que se poderia imaginar.

O roteiro, escrito por ninguém menos do que Jean-Claude Carrière, entre outros, é simples e engendra por um tema já muito explorado, mas traz delicadas luzes que o tornam relevante: as conjunturas que levam cônjuges ao adultério, o machismo latente, os clichês situacionais, e a redescoberta do amor pela perda. Simultaneamente, é rebuscado e elegante construindo com inteligência e tato o cenário que suporta a trama principal.

A direção de Philippe Garrel é excelente, nos apresentando belíssimos planos e estética. A opção por preto e branco não traz significação ou embasamento, mas acentua, substancialmente, a beleza visual e a poética do enredo. Clotilde Courau está excelente como Manon, esposa de Pierre, interpretado por Stanislas Merhar, também em grande atuação e Lena Paugam completa o triângulo amoroso com bastante competência. O elenco coadjuvante não deixa a desejar. A fotografia é belíssima, com um lindo trabalho de iluminação para criar volumes e planos. A edição falha em algumas transições, sendo regular apenas. A arte é interessante, preparando grande parte dos cenários para a fotografia definida e a música contribui para o tom da história.

Lugar comum, estereótipos, enredos desgastados, nada importa quando uma trama se desenrola com paixão e novos olhos. E Garrel, por mais inserido no universo machista que esteja ou pareça, ilumina o feminismo inerente. Vale conferir.

PS: Em cartaz.

TRAILER

#Europa #Análise