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  • Fábio Ruiz

A Trama – França – 2017

Atualizado: Ago 18

Verão, uma escritora parisiense, La Ciotat, uma cidade litorânea, um grupo de jovens de diferentes etnias, uma oficina literária. Nesse cenário somos inseridos em A Trama, mal traduzido do francês, “L’Atelier”, filme dirigido por Laurent Cantet .

Sete jovens de origens, raças, formação, religiões e níveis sociais diferentes, que vivem na pequena cidade de La Ciotat – cuja principal atividade econômica provém de um estaleiro em decadência, mas que, em tempos áureos, produziu navios gigantescos e foi cenário de movimentos do proletariado e comunistas –, sob a tutela de Olivia Dejazet, uma escritora de sucesso, são instigados a produzirem um romance coletivo, cujo processo, destaca suas diferenças, seus preconceitos, suas personalidades e seus talentos. Entre eles, Antoine, um jovem francês de origem europeia, humilde, e de atitudes paradoxais: carinhoso com o filho de seu primo, potencial escritor, mas com tendências nacionalistas, conservadoras, narcisistas e violentas.

O que parece ser um cenário perfeito para a discussão de questões primordiais na corrente conjuntura da União Europeia, com atentados terroristas de origem islâmica, grandes diferenças culturais e religiosas, o aumento da imigração, a crise econômica e a falta de oportunidades, se perde em dilemas da escritora diante de um jovem talentoso com opiniões e narrativas violentas e polêmicas, que poderiam tanto ter origem na criatividade mórbida de um escritor habilidoso ou em uma mente criminosa, abordando os temas de maior relevância superficialmente, beirando o leviano.

O roteiro é mais interessante na primeira metade do filme, mas perde completamente a sua força na segunda quando Olivia se interessa por Antoine, talvez até por ter percebido nele talentos que ela mesmo não tenha e que acaba por ceifar. Não há destaques na direção ou fotografia, que são medianas como quase todos os critérios técnicos, que oscilam em torno do razoável. O trabalho de Marina Fois é bom, mas sem brilhantismos. O grande relevo do elenco é o jovem Matthieu Lucci, no papel de Antoine, que consegue organicamente transparecer todas as facetas e dualidades da personagem. O resto do elenco não é relevante e não merece destaque.

As expectativas estabelecidas pelo trailer, muito bem realizado, apontam para uma trama relevante e cativante, mas se esvaem ao longo da projeção sem aprofundar os temas que todos gostariam de ver destrinchados e esmiuçados. Embora decepcione, A Trama conta uma história, que não é a que esperávamos assistir, mas que pode valer à pena.

TRAILER

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