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  • Fábio Ruiz

O Formidável – França – 2017

Atualizado: Ago 18


Paris, 1967. Durante as filmagens de A Chinesa, Jean-Luc Godard e Anne Wiazemsky se apaixonam e iniciam um peculiar relacionamento. Maio de 68, inseridos no cenário da revolução estudantil, acompanhamos Godard, Anne e a evolução, ou revolução, de seu casamento. O Formidável não é uma simples abordagem da vida de Godard, mas um olhar crítico, sob a perspectiva de Anne, de Godard, de si mesma e da revolução e suas consequências em suas vidas. É, acima de tudo, uma ponderação sensível e inteligente das influências da política nas artes, do revolucionário, paradoxal e um tanto arrogante Godard, que por um lado quer outorgar o poder ao povo, mas que, por outro, sem perceber, não quer abrir mão de pequenos confortos e mordomias e até de um certo chauvinismo machista. Os paradoxos “Godardianos” são desenredados com engenhosa e abundante ironia. O roteiro de Michel Hazanavicius, vencedor do Oscar de melhor direção por O Artista, é genial. É brilhante e burlesco como aborda a discussão de nudez no cinema, entre outros temas. A direção adiciona à genialidade do roteiro quando, discretamente ou não, transita entre o discurso da personagem e o discurso do ator, vide a cena em que Godard critica veementemente os atores em geral. Louis Garrel está excelente como Jean-Luc Godard. A criação da personagem é detalhada e rebuscada. Stacey Martin empresta a sua beleza e semelhança com Anne à personagem, mas sua atuação é apenas razoável. Bérénice Bejo, como Michèle Rosier, entrega um belíssimo contraponto a Godard em uma atuação mais do que interessante. O elenco, em geral, está bastante afiado e a direção dos atores, bastante firme. A música é um capítulo à parte, complementando magistralmente à trama. Mais um lindo trabalho de reprodução de época em 2017. Entre Detroit, O Artista do Desastre, A Guerra dos Sexos e A Forma da Água, O Formidável não deixa nada a desejar às produções hollywoodianas. A edição e o som são realizados com grande habilidade. O Formidável é um filme perspicaz e sensível que, além de tudo, traz uma bagagem histórica interessante de um período considerado entre os de maior importância do século passado E, se tudo isso não despertou a vontade de ir ao cinema, vá para descobrir a beleza que há por trás do título que em nada alude a Jean-Luc Godard. Imperdível.

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