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Okja - Coréia do Sul-2017


Anunciado aqui, por nós, quando de sua indicação a Palma de Ouro no Festival de Cannes 2017, e bastante vaiado em sua apresentação, Okja chegou finalmente a Netflix para apreciação dos cinéfilos. Nós vimos muitos pontos positivos neste trabalho e alguns nem tanto... Ok é uma ficção com ares de fábula, mas o que não impede de haver maior ligadura com a continuidade do roteiro que, em vários momentos, salta algumas explicações e se esquece ou não pretende propor algum tipo de solução para as boas e atuais questões apresentadas. Também chamou-nos a atenção o elenco estelar envolvido com pouco desenvolvimento cênico dos atores (principalmente do ótimo Colin Farrell), que não chega a prejudicar a obra no todo, mas decepciona bastante para quem vai neles buscar alguma atuação mais relevante. Paul Dano salva, sempre salva, o que não acontece com a magnífica Tilda Swinton fazendo um pouco do mais do mesmo. Fora tais considerações, pontos para o espetacular trabalho de CGI, tão realista que não teme chegar aos closes, criando um animal simpático repleto de todos os detalhes e características que provocam imediata empatia com ele (ela), e com sua estória. Com um roteiro corajoso e inteligente (caberia em um documentário), a direção opta acertadamente na perfeita mistura da fantasia com o realismo para denunciar os maus tratos com os animais a ponto de criar, em certo momento, uma atmosfera explícita de campo de concentração com uma comovente (nada piegas), cena de pais lutando para salvarem sua prole do abatedouro. A critica (pode-se ver como denúncia também), aberta ao cooperativismo das empresas multinacionais, sempre prontas a criarem novas campanhas para seus públicos consumidores, em prol de lucros e mais lucros, a ganância delas, a eficácia de suas campanhas publicitárias e a impunidade com que agem e se fortalecem, fica como ponto alto deste roteiro importante na questão do abuso dos animais para satisfação humana. Em nossa opinião, pela relevância temática e boa condução dos assuntos, mereceu sim a indicação à Palma de Ouro, mas jamais ganhá-la ainda que injustiçado pelas vaias e, vale ser assistido por todos, mas de forma descompromissada, para que surjam reflexões mais profundas que, embora a própria obra deixe registrado que “nada mudará”, pelo menos, podemos apreciar o horror de forma leve e lúdica e, quiçá, em um futuro diatópico, possamos ser menos influenciados pelo marketing e mais amorosos com o seres que partilham conosco este planeta.

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