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Manchester à Beira Mar - EUA - 2016


Eis um trabalho impressionantemente complexo sobre o ser humano, sobre traumas, perdas e luto e de como tentar lidar com eles na superação e na continuidade da vida, através de meticulosos e profundos estudos de personagens.

Ok que dificilmente será um trabalho para o grande público mais afeito às ações frenéticas, suspenses e velocidades máximas, pois o roteirista e diretor Lonergan, leva a narrativa com muita calma através de uma câmera contemplativa privilegiando muito mais os grandes silêncios que os ótimos diálogos, criando, aos poucos, uma atmosfera absurdamente intimista com uma carga dramática tão surpreendente quanto devastadora.

Temas como estes facilmente poderiam tender para o melodramático com diálogos clichês ou mesmo correrem o perigo de apenas tocarem a superficialidade temática, mas o roteiro somado a direção acertada vão delineando um verdadeiro mergulho na alma humana. Sem fantasias, mas com uma construção astuciosa tão grande que transforma seus protagonistas em verdadeiros links emocionais com o expectador.

Impossível não compreendê-los, impossível não identificar-se com suas emoções, impossível não colocar-se no lugar deles, de tão humanos que soam em suas jornadas tão curtas.

Casey Affleck, em personagem dificílimo, apresenta uma performance que de tão contida chega ao contundente enquanto Michelle Williams, em poucas aparições, arrebata em uma cena de apenas 3 minutos. Impossível não registrar o trabalho do estreante Lucas Hedges oscilando entre desafios da idade e brincadeiras e, principalmente numa cena magistral diante de um frízer de uma geladeira.

Os enxertos dos flashbacks que são habilmente encadeados funcionam a perfeição para compreensão dos dramas pessoais, bem como a espetacular fotografia captando o ambiente gélido, o figurino e a opção e divisão dos planos, ora fixos, ora mais longos e até em slow motion para fortificar as atuações amparadas pela trilha sonora ancorada em instrumentos de cordas.

Assim, Manchester By The Sea, é uma obra que merece todo o respeito técnico e artístico, com sua angustiante lente sobre a vida como ela é, contada de forma universal e este é o seu maior trunfo e triunfo!

TRAILER

#Hollywood #Análise #Oscar2017

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