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  • Cardoso Júnior

ELLE – França-2016

Atualizado: 17 de Ago de 2020


O Filme indicado pela França ao Oscar 2017 é impressionante!

Com roteiro repleto de subcamadas, talvez não seja facilmente descodificável a um olhar menos atento, mas desde a chocante e dúbia cena de abertura e suas repetições, fica bem claro que a direção pretende trilhar caminhos muito audaciosos sobre a sexualidade feminina.

Portanto é bom e, neste caso essencial, abrir a mente para acompanhar meandros psicológicos embaraçados ou...embaraçosos.

Fortemente embasado em seu trabalho anterior, “Instinto Selvagem- 1992”, o diretor Paul Verhoeven, em um roteiro sofisticado, baseado no romance Oh..., caminha pelo suspense apenas como uma desculpa ligeira para fazer um estudo profundo de personagem abrindo mão de julgamentos morais.

Se, Catherine Tramell (Sharon Stone em Basic Instinct), impactou o mundo ao brincar, usar ou jogar explicitamente com a sexualidade, a Michèle Leblanc da soberba Isabelle Huppert, embora por outros caminhos e seguindo uma linha bem mais turva, subverte e surpreende cada uma das conjecturas do incauto expectador.

Genialmente o roteiro mesclado ou mesmo mascarado como um bom suspense com incontáveis mistérios, se desarruma propositalmente confluindo por vertentes inesperadas explorando desejos nada convencionais pertencentes a complexidade humana; sem pedir licença.

Com ótica, mais uma vez, sobre uma mulher forte que comanda o universo masculino com segurança e distanciamento semelhantes a força de um torniquete, talvez pareça, numa olhada mais superficial, um trabalho feminista, mas as dissecações psicológicas sobre as forças que movem os desejos de uma mulher e de cada um que a cerca, faz da costura do enredo um trabalho mais que brilhante.

Tecnicamente perfeito, “Elle” tem em Isabelle Huppert, por si só, uma das mais expressivas e impressionantes atuações do cinema contemporâneo, faz um retrato das perversões de forma corrosiva, passeia pela força pulsos e impulsos conflitantes das esferas intelectuais, sexuais e emocionais como poucos trabalhos ousaram provocar e fazer.

Dificilmente agradará plateias mais chegadas a explicações e conclusões facilitadas ou já digeridas, mas é uma obra respeitável pela potência interpretativa, um grande desafio as mentes pensantes enquanto análise profunda do empoderamento feminino e da dicotomia entre desejos e bons costumes.

Bravo!

* Quanto a figurar no Top Five do Oscar, ainda que seja muito superior a " Cinco Graças" do ano passado, é cedo para apostar, mas as chances são ENORMES!.

TRAILER

#Europa #Análise #Oscar2017