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  • Cardoso Júnior

Florence: Quem É Essa Mulher?- Inglaterra-2016

Atualizado: Ago 17


A pitoresca história de Florence Foster Jenkins, (a pior cantora de Ópera de todos os tempos), tema de várias peças de teatro ao redor do mundo e já contada pelo cinema no ótimo “Marguerite” – França 2015, (comentado por nós em 07/06/2016), recebe sua versão “made in England” trazendo como protagonistas Meryl Streep e Hugh Grant.

Com dois trabalhos “biográficos” exibidos no mesmo ano sobre a mesma personagem, torna-se impossível não comparar Florence com Marguerite.

O filme Francês, aposta numa livre adaptação da história trazendo muito mais dramaticidade pertinente não só para as situações como também para a personagem provocando, ao fim da obra, uma maior reflexão não só sobre a polêmica cantora, mas principalmente pelo drama existencialista por ela vivido.

A produção inglesa investe mais no tom comédia (inevitável), mas, de certa forma, não mergulha tão profundamente na alma da retratada optando por um esmero técnico, por um designer de produção requintado e minucioso, fotografia e trilha, soma comparativamente.

Florence, que situa a narrativa em noventa por cento explorando a graça do patético e tom burlesco, embora mais próxima dos fatos reais, vai para o último ato com um apelo ao melodramático e falha na tentativa de buscar o emocional do espectador; algo que Marguerite alcança com plenitude em seu final.

Florence nos é apresentado para diversão, enquanto Marguerite para a reflexão. Quanto a Meryl Streep, fica bem claro que sua boa performance, mais chegada ao caricato, é e foi criada para uma inevitável indicação ao Oscar (e será), mas Catherine Frot (já vencedora do César de melhor atriz), entrega uma mulher muito mais humanizada, profunda e emocionante.

Então, no frigir dos ovos ou das obras, Florence desperdiça uma ótima história em prol do riso fácil, e expõe uma grande atriz a uma comparação que poderia ser evitada.

Assim, o nome correto deste trabalho deveria ser: Florence:Quem teve essa ideia?

TRAILER

#Europa #Análise