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Mãe só Há Uma – Brasil-2016


Com um plot muito simples, um quase nada, o roteiro consegue através do cotidiano de algumas vidas, criar vários arcos dramáticos, desenvolver os conflitos, trazer questões relevantes e manter o pico de atenção durante toda narrativa.

Inteligentemente, a direção, sem grandes pretensões e de forma elegante, coloca sua câmera à serviço de uma análise sobre a juventude atual, ousa sem agredir questionamentos sobre o desabrochar da sexualidade, discussões de gêneros, busca por identidade na adolescência e estruturas familiares.

Com personagens simples, mas que o ótimo elenco acerta no tom que lhes confere grande credibilidade, a narrativa introduz de maneira acertada vários elementos de desconforto, lida bem com o aumento e manutenção do suspense, criando a empatia cênica necessária para a construção dos vários arcos dramáticos.

A questão tão cara a diretora sobre “classes sociais” (assim foi no seu último trabalho), aqui nos chega de maneira evidente, porém, na dose certa como decorrência natural do roteiro sem cair no maçante discurso classicista.

Tecnicamente bem realizado, Mãe Só Há Uma, traz em si uma “pegada” de Xavier Dolan que funciona muito bem em todos os momentos, não cai na armadilha de prolongamentos desnecessários das questões, sabiamente evita a “moral da história” entregando-nos um final singelo e emocionante que nos deixa com sabor de quero mais.

Mãe só há Uma, é um trabalho repleto de constrangimentos que, infelizmente nos chega em circuito limitado, mas que deveria ser visto por todos os pais que têm filhos adolescentes.

“É tão difícil aceitar quem eu sou?”

TRAILER

#Brasil #Análise

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