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  • Cardoso Júnior

Mergulho Profundo - Itália-2016

Atualizado: Ago 17


Em 03/12/2015 fomos buscar, assistir e comentar para vocês o clássico de 1969, “A Pisciana”, justamente porque estávamos nos preparando para a chegada do remake Italiano com seu grande elenco. Coisas de cinéfilos.

Pois bem, é inevitável não comparar as duas obras. Primeiramente, ‘“Mergulho Profundo” não é um remake. É outra obra que mantêm várias características da primeira, inclusive o plot central, mas insere muitos elementos novos, embora isso não a desmereça em nada; talvez a torne até mais compreensível.

O mesmo plot simples onde um quarteto se encontra em uma casa, que tem uma piscina e tensões sexuais preenchem corpos bronzeados em explosões de neurônios ensandecidos.

Não, não é um pornô! É um clássico bem comportado; razoavelmente...

Na primeira montagem, o diretor que alçou o sucesso com ela, limitou-se a mostrar os torsos quase sempre nus de Alain Delon, Romy Schneider, Maurice Ronet e Jane Birkin preferindo enquadramentos em longos closes dos belíssimos rostos. Em 2016, o diretor italiano Luca Guadagnino (indicado ao Leão de Ouro), ousa expor a nudez frontal de Tilda Swinton, Dakota Johnson, Matthias Schoenaerts, e Ralph Fiennes, este, em vários ângulos e balanços. Mas que os puritanos não se assustem, pois são tomadas de extremo bom gosto estético e totalmente dentro do contexto.

A bela vila na Côte d'Azur é substituída por uma bela casa na ilha Pantelleria – Sicília, e o idioma, claro, muda para o italiano. Nenhum problema.

Tilda Swinton não tem a beleza estonteante de Romy Schneider, mas ainda que numa interpretação quase sem falas e poucas palavras, rouba, magneticamente todas as cenas que aparece estabelecendo uma química incandescente com Matthias Schoenaerts que constrói seu personagem com muito mais contrição/mistério e menor participação que Alain Delon.

Quanto a Jane Birkin versus Dakota Johnson, esta está mais a vontade nas cenas de nudez exibindo um belo corpo e um tom sensualismo, embora a “questão da idade” inserida, em nada acrescente à narrativa.

A maior mudança de personagens fica por conta de Ralph Fiennes não só pela maior participação que Maurice Ronet, mas por ser deslocado para o protagonismo em uma das mais vibrantes e carismáticas interpretações de sua carreira.

Inteligentemente, o novo roteiro insere no belo e ensolarado cenário a iminente chegada de uma tempestade e algumas cobras “inofensivas” rastejando pelo jardim da mansão, anunciando, pertinentemente, que algo grave virá atingir o paraíso.

A questão dos figurinos parece idêntica, apenas modernizada, sempre com roupas leves de verão propiciando uma visão mais provocadora dos belos corpos constantemente bronzeados. Mas é na trilha sonora que incute rock and roll e Rolling Stones ainda que sejam em discos de vinil que surge uma grande diferença melódica; nem para melhor, nem para pior.

A inserção de notícias sobre refugiados e o aparecimento de um grupo deles, atualiza o roteiro e procede de acordo com a região da ação, mas o arco fica solto e meio que sem sentido explícito, embora a intenção seja a de “culpar” os “negros invasores” em detrimento dos brancos, ricos e bem vindos turistas. Não era necessário.

O novo roteiro também retira o peso da investigação criminal que, na obra anterior, acrescentava uma boa dose de dúvidas, tensões e desconfianças e também faz o favor de excluir a prova material do crime (roupas), trocando-a por um simples aranhão de pele. Pena!

A cena clímax que ocorre evidentemente na piscina, também sofreu alterações de intenções / motivações e filmagem com a inserção de uma câmera subaquática e um grande afastamento angular da cena pontuado e potencializado pela trilha. Muito bom!

A novidade dos flashbacks é bem bacana, mas poderia não existir e diminuir as duas horas de projeção. Explicam, engrandecem, mas não acrescentam.

No mais e no menos, “#ABiggerSplash” constrói muito bem e calmamente a tensão crescente entre os personagens, reúne um elenco talentoso, explora a tensão sexual ao máximo, lida com o erotismo de forma “ caliente” configurando-se numa releitura mais perto do gênero suspense & mistério, além de reescrever um final mais emocionante.

Por isso tudo e por tudo isto, a cotação é:

TRAILER

#Europa #Análise