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River –Canadá- 2016


Eis um trabalho que dificilmente chegará às nossas telas, mas que é muito, muito superior a vários que nelas estão só ocupando espaço comercial. Vai entender...

O que você faria se estivesse em um país da Ásia, sem falar uma única palavra do idioma local, acidentalmente se envolvesse em uma discussão, acabasse matando o filho de um senador (mesmo sem intenção) e fosse literalmente caçado pela polícia de vários países? Fugiria? Para onde? Como? Se entregar seria a solução? E se não for? O que você escolhe? Agir e impedir que uma injustiça seja cometida ou simplesmente fechar os olhos e seguir adiante?

Eis o mote do espetacularmente tenso “River”, que com um orçamento mais que modesto, e filmado no Laos e Tailândia, além de deixar o expectador ligado do começo ao imprevisto fim, transita por questões de moral e ética no cerne principal e nas boas e enxutas subtramas.

Filmado com uma câmera de mão nervosa que nunca está em repouso juntamente com o protagonista, sempre acompanhando e ampliando em closes detalhados sobre a angustia e o temores no cenário caótico, aproxima de forma inevitável o expectador da trama que utiliza-se da analogia da geografia e das transposições para correlacioná-la com os desvios e rumos do caráter do protagonista.

Com belíssima e úmida fotografia explorando as nuances do verde alternada com o marrom-barro dos ambientes urbanos, “River” não vai te permitir recuperar o fôlego por conta do mais que bem feito jogo entre esperança versus beco sem saída e, te levará junto com ele durante os imprevisíveis e nervosos 95 minutos de uma narrativa brilhantemente construída.

Ao fim, quando te é dada a oportunidade de respirar um pouco e relaxar, a reviravolta final te levará, mais uma vez, para o terreno das incertezas de forma surpreendente.

TRAILER

#AméricadoNorte #Análise

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