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Fúsi – Islândia - 2015


A coisa mais marcante, ao final, deste interessante drama Islandês, é o fato de no Brasil ter sido nomeado “desajustados” o que nos pareceu bastante inadequado já que o nome do protagonista, que é o título do trabalho, se encaixa muito mais na proposta e, o titulo em Inglês ( “Mountain” -montanha virgem,) é muito mais coerente. Isto posto, o roteiro seguindo um quarentão obeso, virgem, repleto de ingenuidade, ternura, bondade, com momentos de doçura, ainda que pareça monótono e, um tanto quanto engessado na narrativa, é peculiar sim e muito genuíno e válido na abordagem do tema solidão. Com um cunho fortemente analítico-psicológico sobre uma pessoa (ou pessoas), com problemas de timidez e grande dificuldade de interação com o mundo que os cerca, acompanhamos uma batalha, uma guerra pacífica pela sobrevivência em um cenário sem graça e muitas das vezes hostil com os diferentes do padrão. A câmera detalhista fazendo o papel de coadjuvante na narrativa, a fotografia em tons escuros, quase opaca, mas perfeita no acompanhamento de sentimentos não verbalizados e, a brilhante e contida interpretação do protagonista, Gunnar Jónsson, (voltaremos a falar dele em breve), faz deste trabalho algo genuíno que, infelizmente, ocultado por capas esvoaçantes teve estréia discretíssima no Brasil, mas tocará e emocionará cinéfilos que não buscam grandes ações e efeitos especiais exteriores.

Não que eles não existam em profusão, mas estão reverberando silenciosos nos interiores das personagens, numa Islândia gélida e distante, numa estória florida, delicada e universal que vai te deixar com um sabor de esperança no último ato.

TRAILER

#Europa #Análise

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