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  • Cardoso Júnior

O Conto dos Contos - Itália - 2015

Atualizado: 15 de Ago de 2020


Eis um trabalho surpreendente de várias maneiras, principalmente por adentrar o terreno dos contos de fadas em uma mistura inusitada de simples magia com realismos concretos tangendo o fantástico.

Esta fábula, centrada na idade média, intercalando três contos em um, abandona o lirismo poético substituindo-o por uma realidade fantasiosa e surpreendente. Repleta de desdobramentos inesperados, ousa desacatar o gênero “felizes para sempre” apostando em questões mais próximas da realidade humana com todos seus desejos, defeitos, ambições, vilanias e não se furta a alguns respingos de sangue nos momentos mais sombrios. A tônica desta aventura fantástica (em todos os sentidos), esteja focada na evolução dos desejos que se tornam obsessões e as conseqüências de suas realizações a qualquer preço, pois há um óbvio “De profundis” analítico e moral nas ações das personagens para quem se dispuser aventurar-se por tais caminhos.

Contudo, a critica explícita a loucura individual, é apenas um elemento sutil ainda que insurgente e inovador no gênero, mas é na parte técnica que vamos encontrar verdadeiras maravilhas para os olhos. Seja no requinte deslumbrante dos figurinos (indicação garantida ao Oscar), na primorosa cenografia, fotografia, maquiagem, cabelos e na mais que respeitável direção de arte acompanhando um elenco respeitável com atuações consideráveis. Ainda que possamos entrever certa queda de ritmo na ligadura das estórias, o primor, o deslumbre visual mantêm-se como elemento unificador da deslumbrante viagem e, se você não esperar por encantadores, sublimes e lacrimosos “happy ends”, “Ilracconto dei racconti” insere-se na categoria de obra obrigatória para amantes do verdadeiro cinema arte enquanto revolucionário, fantástico, inovador e corajoso. Bravo, Itália!


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#Europa #Análise